Roteiro de Afetos
Branding, sinalização e experiência digital para um audiotour pelo patrimônio histórico de Natividade, Tocantins.
Contexto
O Roteiro de Afetos é uma experiência cultural criada para aproximar moradores e visitantes do patrimônio histórico de Natividade, uma das cidades mais antigas do Tocantins.
O projeto propõe uma caminhada por 12 estações distribuídas pelo centro histórico, nas quais o visitante percorre ruas, praças, igrejas, becos e outros espaços da cidade enquanto escuta narrativas relacionadas à memória, arquitetura, cultura e aos personagens de Natividade.
Mais do que apresentar informações sobre os lugares, o audiotour foi concebido como uma experiência de conexão entre memória, território e afeto.
Para tornar essa experiência possível, foi necessário desenvolver um sistema capaz de conectar diferentes pontos de contato: identidade visual, materiais gráficos, sinalização no espaço urbano, interface do audiotour e presença digital.
O desafio
Natividade possui um patrimônio arquitetônico e cultural de grande relevância. Isso trouxe uma questão central para o projeto:
como criar uma linguagem contemporânea sem competir visualmente com o próprio patrimônio?
O sistema precisava ter personalidade suficiente para ser reconhecido, mas também atuar com discrição quando inserido no centro histórico.
Além disso, deveria funcionar em escalas e contextos bastante diferentes:
identidade e materiais institucionais;
mapas e materiais informativos;
identificação das 12 estações;
sinalização instalada em áreas históricas;
acesso aos episódios por QR Code;
interface digital do audiotour;
site de apresentação do projeto.
A solução não poderia ser apenas uma marca. Precisava funcionar como um sistema de orientação e experiência.
01. Identidade visual
Afeto como conexão
O conceito visual nasceu da própria proposta do projeto: utilizar histórias para construir novas conexões entre pessoas, lugares e memória.
A identidade buscou equilibrar dois universos que poderiam facilmente entrar em conflito: a história de Natividade e uma linguagem visual contemporânea.
Em vez de reproduzir uma estética colonial ou utilizar elementos históricos de maneira literal, desenvolvi um sistema gráfico mais simples, acolhedor e flexível.
A paleta parte principalmente de tons terrosos, aproximando a identidade das cores da paisagem, da arquitetura e dos materiais presentes na cidade.
A marca e seus elementos gráficos funcionam como uma camada contemporânea sobre esse repertório, criando unidade sem transformar o patrimônio em cenário.
[IMAGENS]
construção da marca;
versões da assinatura;
paleta cromática;
tipografia;
primeiros estudos;
aplicações principais.
02. Desenhando as 12 estações
Uma das partes mais importantes do sistema foi traduzir cada ponto do percurso em um elemento visual próprio.
As 12 estações representam lugares muito diferentes entre si: igrejas, praças, becos, casas, ruínas e espaços relacionados à memória da cidade.
Para criar uma unidade entre eles, desenvolvi uma família de ícones lineares, construída a partir da observação dos elementos arquitetônicos e simbólicos associados a cada estação.
A ideia não era criar ilustrações decorativas, mas pequenos marcadores de reconhecimento.
Cada desenho precisava funcionar individualmente e, ao mesmo tempo, fazer parte de uma mesma linguagem.
Esse sistema passou a ser utilizado no mapa, nos materiais informativos, na sinalização e posteriormente na interface digital.
03. Transformando um percurso em sistema
Com os pontos identificados, o próximo desafio foi transformar o centro histórico em uma experiência navegável.
O mapa organiza as 12 estações do audiotour e ajuda o visitante a compreender não apenas onde cada ponto está localizado, mas também a dimensão do percurso como um todo.
Os mesmos códigos visuais criados para a identidade aparecem novamente no mapa, nos materiais impressos e nas estações.
Essa repetição é importante: quem encontra um símbolo no folder deve reconhecer o mesmo elemento ao caminhar pela cidade ou acessar o ambiente digital.
O sistema deixa, portanto, de ser apenas gráfico e passa a atuar como orientação espacial.
04. Sinalização em um centro histórico
Projetar a sinalização trouxe uma restrição que não existia nas peças gráficas: ela precisava existir fisicamente dentro de um conjunto urbano protegido.
As placas deveriam identificar cada estação, apresentar informações essenciais e permitir o acesso imediato ao episódio correspondente por meio de um QR Code.
Mas adicionar novos objetos a um patrimônio histórico exige cuidado.
Por isso, o desenvolvimento dessa etapa aconteceu em diálogo próximo com a equipe de arquitetos do IPHAN no Tocantins, discutindo localização, dimensão, materialidade e formas de instalação que provocassem a menor interferência possível nas edificações e na paisagem.
Entre os caminhos estudados, optamos pelo uso de acrílico transparente nas placas que estão sendo produzidas.
A transparência reduz o peso visual da sinalização e permite que a arquitetura permaneça como protagonista, enquanto as informações aparecem como uma camada sobre o espaço.
Foi uma decisão em que design gráfico, arquitetura e preservação patrimonial precisaram trabalhar juntos.
[IMAGENS]
primeiros estudos das placas;
testes de proporção;
estudos de materiais;
mockups sobre fotografias reais;
aproximação mostrando QR Code;
fotografia do protótipo ou da placa produzida quando disponível.
Boa imagem aqui: uma fotografia do patrimônio + desenho da placa sobreposto, seguida da solução final. Isso mostra decisão, não apenas acabamento.
05. Do espaço físico para o digital
O QR Code funciona como a passagem entre a cidade e a camada digital do projeto.
Ao escaneá-lo, o visitante acessa a experiência do audiotour e pode ouvir o conteúdo relacionado ao lugar em que está.
Isso exigiu transportar o sistema gráfico desenvolvido para o ambiente físico para uma interface muito menor: a tela do celular.
Marca, cores, ícones e hierarquia visual foram adaptados para criar uma experiência direta, pensada principalmente para uso durante a caminhada.
Nesse contexto, reduzir fricção era mais importante do que adicionar recursos.
O visitante precisa reconhecer rapidamente:
em qual estação está;
qual episódio deve ouvir;
como iniciar ou controlar o áudio;
quais são as próximas etapas do percurso.
A interface digital passa a funcionar como uma extensão da sinalização urbana.
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QR Code na placa → celular;
tela inicial;
estação individual;
player;
lista ou navegação entre estações;
ícones aplicados na interface;
comparação físico/digital.
06. Um sistema visual contínuo
Durante essa transição, alguns elementos precisaram ser redesenhados especificamente para telas.
A marca foi preparada para diferentes escalas e aplicações digitais, e os ícones das estações foram refinados para manter legibilidade mesmo em dimensões reduzidas.
O objetivo era evitar a sensação de que existiam dois projetos separados, um físico e outro digital.
A mesma linguagem acompanha o visitante ao longo de toda a jornada:
mapa → cidade → placa → QR Code → episódio.
Essa continuidade ajuda a tornar uma experiência complexa mais simples de compreender.
[IMAGENS]
Aqui cabe muito bem uma sequência horizontal:
ícone → placa → QR → tela da estação → player
07. O site
Enquanto o audiotour é uma experiência essencialmente local e contextual, o projeto também precisava existir fora de Natividade.
O site foi desenvolvido como ponto de entrada para conhecer o Roteiro de Afetos, apresentar sua proposta, contextualizar o projeto e permitir o acesso às suas informações em ambiente digital.
A identidade criada anteriormente foi novamente adaptada, desta vez para uma experiência editorial com mais espaço para fotografia, texto e narrativa.
O site completa o ecossistema do projeto e amplia seu alcance para além do percurso físico.
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home;
detalhe do hero;
página ou seção sobre o projeto;
estações;
versão mobile;
composição final com diferentes telas.
Uma experiência entre cidade e memória
O resultado do Roteiro de Afetos não é uma peça isolada, mas um sistema composto por diferentes camadas.
Identidade visual, ilustração, mapa, sinalização, QR Codes, interface e site trabalham juntos para conduzir o visitante por uma experiência que começa no espaço urbano e continua no ambiente digital.
O projeto também mostrou que trabalhar com patrimônio exige uma lógica diferente daquela aplicada a produtos puramente digitais.
Algumas das decisões mais importantes não estiveram relacionadas à estética, mas a como inserir design em um espaço que já possui história, significado e identidade próprios.
Nesse contexto, o papel do design foi menos o de ocupar espaço e mais o de criar conexões.
Entre cidade e tecnologia.
Entre patrimônio e narrativa.
Entre memória e pessoas.